domingo, 25 de setembro de 2011

Um pouco de vida na MORTE

Eu comecei com um ‘oi’ bem irônico.
Eu não queria fazer parte daquele mundinho onde as pessoas se tratavam tão mal, passavam por cima das outras a fim de conseguir algo. Eu não queria que abrissem a boca pra falar meu nome em vão.
Eu tinha lido todas as suas conversas, observado cada passo seu em direção à mim.Eu pude notar que em seus passos tinha um certo ar de dor, como quem andava com uma pedra nos pés. Eu senti a dor que carregava em suas costas e pude notar que o sangue corria em minha direção. Ele estava morto, e eu estava sem tempo pra velar teu corpo. Nem que eu rezasse, nem que eu implorasse alguém ia ter pena daquela alma. Alguém tão fútil quanto suas promessas vãs.
Eu não poderia estar ali rezando, enquanto as águas de meu rio rolavam dentro de uma outra pessoa. Talvez a morte seja o preço que eu tenha que pagar, ou tenha sido um jeito que ele encontrou de chamar a atenção, de chamar a minha atenção. Sua morte a elevou ao nível que ele sempre quis, foi o ápice da popularidade que ele julgava ter, que tanto cultivava. E ele não estava ali pra ver.
‘Eu sinto perder alguém tão idiota. De quem vou rir agora?De quem vou zombar quando passar por mim?’ – Era o que todos pensavam quando eu morri.
E quem sabe eu tenha decidido ir ao teu encontro.
Eu terminei com um ‘tchau’ bem honesto e caminhei em direção ao rio que não corre água.

23.06.10

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