domingo, 25 de setembro de 2011

Neblina

A neblina cobria a serra. Pouco se via da imensidão que havia no horizonte, somente a brisa pra esfriar aquele coração. Um ou dois passos separavam-me dele. Eu caminhava, mas nunca chegava, sempre eram dois passos faltando ou sobrando. Insensata busca por um amor perdido, um amor que eu precisava encontrar (antes de partir).
Uma dor tomou conta de mim quando soube da doença que estava acabando com toda a vontade de viver que me restava. Ao pensar em morrer, pensei em não morrer sem deixar meu coração com alguém que eu amava. Precisava continuar viva dentro de alguém que me amasse também.
Todos ao meu redor sabiam que o meu amor estava naquela neblina, onde meus olhos não conseguiam chegar. E eu sabia que aquela neblina era o rancor que eu trazia dentro de mim, mas com dó de mim mesma por não conseguir arranca-la.
Queria dormir pra que a dor passasse. Quis gritar pelo teu nome. Gritei mas não me ouviu. Queria encontrar o amor antes de desmaiar de tanta dor. Algo corria em meu sangue como um vírus – era uma dor forte o bastante pra me fazer chorar. Quase caindo ao chão, vi teus olhos a me olhar. Era ele, o amor que eu procurava. Seus olhos eram lindos, brilhavam enquanto ele sorria dizendo que ia ficar tudo bem. Eu acreditava nele, eu não queria morrer nos braços de alguém que eu amava.
Talvez tenha sido ele o amor de minha vida, o amor de uma vida inteira. O amor que não me pedia nada em troca, e que poderia cuidar do meu coração como se fosse seu. Talvez ele ficasse melhor com meu amado ao invés de ir pro túmulo comigo.
Ele não me ouviu chamar, pois não gritei com a voz do coração – ele disse.
Eu vou tentar me esconder na serra para poder vê-lo mesmo que em dias de neblina forte. Meu coração o protegerá, assim como ele me protegeu de meus erros.
16.08.2010

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