domingo, 25 de setembro de 2011

Castelo

E das minhas brasas restarão cinzas. E restarão lembranças do que nós dois vivemos juntos. Essas lembranças durarão para sempre, você sabe, eu sei. As mágoas não sobreviverão ao tempo, o fogo já terá se apagado restando apenas os vestígios do que foi bom, do que foi inesquecível. E aos poucos, reconstruiremos o castelo que um dia acreditamos ser parte do Conto de Fadas, ser um ninho de Felicidade, talvez.
Não quero relembrar dos tijolos, daquele muro de sofrimento que cercava o nosso Castelo. Espera, de qual época eu estou falando? Você sabe, eu fui feliz demais, eu acreditei que havia uma felicidade suprema entre nós, que éramos um do outro sem qualquer dúvida, mas agora eu vejo que esse muro de mágoas o impediu de me enxergar, de ver toda a beleza que há em meus olhos, te impediu de ver que os meus sonhos poderiam se realizar ao teu lado, que era isso o que eu mais queria.
Essas fases duradouras se confundem entre frases semi-duradouras. Frases que começam pelo fim e acabam nessa fase, sem mel e sem abelhas. Tudo se feriu aqui, em meu peito, ao te ouvir dizer que já não podia mais, que já não me pertencia como era antigamente. E vou dizer o que mais? Já não adianta falar mais nada, tentar recuperar todo o tempo que perdemos e fingir que já não existe mais nenhum sentimento aqui. Eu mentiria pra todos, você sabe. Eu mentiria pra mim mesma, eu sei. Mentiríamos para o nosso coração, nós sabemos.
Resta acreditar que as coisas boas ainda possam ser vistas no fim do túnel, por cima do muro do Castelo. Resta acreditar que esse muro é de tijolos feitos com pequenos grãos de harmonia.
Resta acreditar.
22 de Outubro de 2010

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