Quando eu era mais nova as pessoas me diziam pra eu não me preocupar com ‘amor’,que ‘amar’ era somente pra adultos e que ia demorar pra que eu sentisse tudo que o amor nos traz de bom e de ruim.
Parece demorar mesmo,- eu concordei.Dizem que o amor vem pra ficar.E se desgostarmos do hóspede,ainda assim temos que abrigá-lo?É culpa minha vê-lo desgastar?
E ainda que as pessoas não soubessem me responder,uns ainda diziam,meio que sem tanto significado:
_ Quando ele vem,é por que você já está o esperando,e não há despedida sendo que o amor não precisa partir.E não há razão para isso,sendo que o amor é o que todo mundo espera.
Num desses dias,depois de já ter crescido,conheci uma pessoa.E ela fez com que meu mundo girasse,fez com que eu criasse asas e voasse.Naquele momento senti que as pessoas de minha infância estavam certas,e que talvez o hóspede houvesse chegado em minha casa,que eu deveria cuidar muito bem dele para que ele não sentisse a necessidade de mudar de pousada.
[...]
Com o passar dos anos,fui percebendo que aquilo que eu sentia era mais do que algo passageiro,era algo que queria aqui,sempre.
Era domingo.O dia estava lindo,e convidei meu hóspede a ir comigo tomar sorvete.Num sorriso vi que havia aceitado.No passeio pude perceber que as pessoas nos olhavam de um modo estranho,como se quisessem falar algo,mas apenas com um olhar de reprovação.Fiquei sem saber como agir,e meu hóspede me olhou querendo que eu fizesse algo.Eu não sabia o que fazer.
Fui então conversar com um dos sábios de minha infância:
-As pessoas me olhavam estranho,me reprovavam no olhar.O que estava errado comigo?Ou era algo de errado no meu hóspede?Por acaso,é por que ele não é da cidade,por isso que as pessoas o estranham?Diga-me.
Ele olhou em meus olhos e disse:
-As pessoas devem se conformar com a felicidade alheia.No entanto,não fazem isso.Elas esperam que as pessoas criem-se sempre do jeito que elas querem.Não há nada de errado com seu hóspede,mas como as pessoas são preconceituosas,elas não aceitam que seu hóspede seja tão igual a você.Está aí o motivo.
Então saí dali como se algo me apedrejasse,fiquei sem rumo.Por que as pessoas me tratavam assim?Não posso amar meu hóspede?Devo despejá-lo de minha pousada?E se ele se for,eu ficarei de bem com todo mundo?Por que eu tenho que escolher viver como todo mundo se existe as diferenças?Então para que elas existem?
[...]
Meu hóspede veio em minha direção e disse:- ‘sua pousada é sem dúvida onde eu quero ficar pra sempre.Não precisarei de uma casa se eu ainda puder me hospedar aqui’.E isso bastou.
As pessoas não precisam concordar com o que fazemos.Elas devem simplesmente aceitar,pois não há outro modo.Viemos para ser felizes,mesmo que não seja em nossa própria casa.
O amor nos hospedará em teu seio.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Sua opinião é muito importante :)